Desculpem os meus amigos caçadores, o titulo desanimador desta postagem dedicada aos Torcazes. Tinha prometido a mim mesmo não voltar a abordar esta questão, já que noutras alturas em que escrevi uns modestos artigos relacionados com esta espécie cinegética, segurando-me em décadas de experiência, terei ferido a sensibilidade de certas pessoas, que desde 2006/7 - data de uma alteração acentuada na rota migratória destas aves para a Península Ibérica - não terão sabido adaptar-se á nova realidade. Compreendo, e sei bem porquê...!
Quando observamos com entusiasmo as contagens aos pombos Torcazes, que são efectuadas á sua passagem nos Pirenéus, devemos ter sempre em conta que uma parte substancial dessas aves fica pela vizinha Espanha, para não falar da rota de Leste que já não entra em Portugal como á décadas, ficando nas grandes zonas cultivadas de França e Espanha. Seria útil considerarmos, que desde o ano 2000 a população de Torcazes na serranias a norte de Montpellier no sul de França, tem aumentado substancialmente vindos principalmente dos países de Leste, mas também da Escandinávia. Dizem os mais velhos habitantes dessa região francesa, que á 30 anos, esta espécie era residual.
Todos os anos os entusiastas aficionados da caça aos "azuis" são bombardeados com intencionais mentiras por parte de alguns comerciantes, sobre o quantitativo real dos Torcazes entrados no nosso país. Cuidado pois com a publicidade comercial enganosa, como a venda de portas aos pombos, a venda de artigos de "ultima geração" para negaçar, e até os tais cartuchos especiais para pombos vulgo misseis teleguiados, etc. etc. pois podemos estar a ser levados por propaganda comercial, muita dela em sites da NET com objectivos muito pouco sérios, que tem como finalidade, entusiasmar o ingénuo caçador e atrai-lo para a aquisição de produtos que muito provavelmente nunca irão usar. É o vale-tudo na caça ao €uro, praticada por autênticos vendedores de banha da cobra, muito activos neste período do ano, cuja habilidade para tapar o sol com a peneira, é prodigiosa.
Eis alguns factores muito discutidos hoje no seio dos caçadores mais velhos, onde eu me incluo, e que a meu ver contribuíram ao longo dos anos para a alteração da rota do Torcaz e, que tem vindo a ser a causa de tantos fiascos na caça a esta espécie. (rolas e tordos também)
Todos os anos os entusiastas aficionados da caça aos "azuis" são bombardeados com intencionais mentiras por parte de alguns comerciantes, sobre o quantitativo real dos Torcazes entrados no nosso país. Cuidado pois com a publicidade comercial enganosa, como a venda de portas aos pombos, a venda de artigos de "ultima geração" para negaçar, e até os tais cartuchos especiais para pombos vulgo misseis teleguiados, etc. etc. pois podemos estar a ser levados por propaganda comercial, muita dela em sites da NET com objectivos muito pouco sérios, que tem como finalidade, entusiasmar o ingénuo caçador e atrai-lo para a aquisição de produtos que muito provavelmente nunca irão usar. É o vale-tudo na caça ao €uro, praticada por autênticos vendedores de banha da cobra, muito activos neste período do ano, cuja habilidade para tapar o sol com a peneira, é prodigiosa.
Eis alguns factores muito discutidos hoje no seio dos caçadores mais velhos, onde eu me incluo, e que a meu ver contribuíram ao longo dos anos para a alteração da rota do Torcaz e, que tem vindo a ser a causa de tantos fiascos na caça a esta espécie. (rolas e tordos também)
-PAC-Politica Agrícola Comum ditada por Bruxelas, alterou em Portugal nas ultimas décadas, com a complacência criminosa e anti-patriótica dos políticos, o coberto vegetal do nosso Alentejo e Ribatejo.
-As cientificamente provadas alterações climatéricas, com variações constantes de ventos mais quentes em altitude, (correntes térmicas ascendentes) deram uma ajuda na alteração das rotas migratórias do pombo Torcáz. (Também a Rola deixou de fazer a sua migração de norte para sul, pela linha litoral do país)
-As cientificamente provadas alterações climatéricas, com variações constantes de ventos mais quentes em altitude, (correntes térmicas ascendentes) deram uma ajuda na alteração das rotas migratórias do pombo Torcáz. (Também a Rola deixou de fazer a sua migração de norte para sul, pela linha litoral do país)
-Os subsídios pagos aos agricultores para não semearem as terras, levou a que os campos deixassem de produzir aquilo em que éramos auto-suficientes, o trigo, o milho, o centeio, a cevada e a aveia. Hoje somos importadores deste cereais, enquanto a Espanha e França tem excedentes.
-A gula ao subsídio para desmate, levou a que alguns proprietários oportunistas, limpassem os terrenos ao ponto de os tornarem em autênticos desertos cinegéticos.
-O incentivo á "rentável" plantação de Eucalipto. Portugal tem já uma floresta de "petróleo verde" na ordem dos 815.000 hectares em zonas sensíveis para as especies migratórias onde o Alentejo e Ribatejo estão incluídos.
-A criação de parques eólicos em Portugal em zonas serranas, outrora rota migratória, veio alterar substancialmente o comportamento dos Torcazes e outras espécies. Já vai mais de uma década, que os Torcazes não sobrevoam a Serra de Aire e Candeeiros, o que acontecia em Outubro com alguma regularidade. (as eólicas aqui são mais que muitas e os Torcazes sentem á distancia as ondas electro-magnéticas e evitam a zona)
-A barragem do Alqueva, o maior lago artificial da Europa, contribui sobremaneira para um alinhamento das rotas migratórias pelas linhas de água, na procura de todo o tipo de culturas que nasceram nas suas margens, tanto do lado português, muito mais do lado espanhol.
-Os incêndios criminosos que não param de aumentar, em zonas tradicionais de dormida e passagem habitual dos Torcazes, obrigaram forçosamente as aves a alterarem os hábitos.
-O exagerado numero de caçadores para a dimensão do país (chegou aos 300.000 após o ano de 74) e que actuavam no terreno sem ética desportiva, com total indisciplina e impunidade na caça esta a espécie, exercendo sobre ela uma enorme pressão, perseguindo-a de dia pelos campos e á noite nas dormidas, ora de Jeep ou Pick-up, ora de motorizada, em que os foguetes de lágrimas faziam o resto. Uma herdade tratada deste modo, ficava limpa de Torcazes por uns bons anos. Foi a anarqueirada abrileira do "terreno popularmente livre" num país sem lei nem autoridade. Foi o tempo em que nas cinzentas manhãs de nevoeiro com visibilidade quase nula, os caçarretas que faziam os levantes, se alvejavam uns aos outros com a ganancia de matar para pendurar. Não havia época venatória que não houvesse acidentes mortais nos levantes do pombos.
Até aos anos 70, apenas umas centenas de aficionados se dedicavam á caça aos Torcazes das mais variadas maneiras. Era o tempo em que os 90.000 caçadores existentes, podiam caçar todos os dias da semana, abatendo lebres, coelhos e perdizes, de boa qualidade selvagem. Torcazes, era "coisa" que não fazia perder tempo á grande maioria do caçadores.
-No Regime Cinegético Especial a "gestão" caótica de muitas ZCA, versus terreno livre, localizadas em áreas sensíveis de passagem e dormida, contribuio para o afastamento definitivo da espécie, onde os sócios caçarretas urbano/depressivos, com os suas Fabarms anti-aéreas de 90 cm. de cano, municiadas com magnuns, carregados com granalha esférica n-º 3, faziam fogo de rajada sobre os bandos de Torcazes a 150 metros de altura com grande gáudio e algazarra, enquanto outros circulavam pelas herdades nas suas viaturas cuspindo lama para todos os lados, em autênticos raids todo terreno.
Talvez tenha interesse lembrarmos zonas como Malpica do Tejo, Rosmaninhal, Monte da Pedra, Comenda, Vale do Peso, Cunheira, Aldeia da Mata, Crato, Flor da Rosa, Alter do Chão, Galveias, Valongo, Aldeia Velha, Montargil, Forros do Arrão, Forros do Mocho, Farinha Branca, Avis, Seda, Cabeção, e outras...são hoje exemplos da quase inexistência de Torcazes, que por elas passam como "raposas por vinha vindimada". Eu não pagaria nem 10 €uros por uma porta aos Torcazes em qualquer destas zonas. Se regressarmos aos anos 60 e parte dos anos 70, por aqui transitavam e dormiam, cerca de 15 milhões de Torcazes, que depois seguiam em direcção a Santiago do Cacém, dividindo-se por essa região em centenas de bandos de muitos milhares de indivíduos, quando os campos do Alentejo era o celeiro de Portugal.
É sempre com uma certa nostalgia que nos recordamos dos bandos compactos com kms. fazendo sombra ao astro Rei. Quando se dava um levante de pombos ao crepúsculo da manhã, numa dormida no Crato/Flor da Rosa por exemplo, a frente do bando sobrevoava o Monte da Natária em Alter do Chão e a cauda ainda estava a sair do Crato... são 12 kms. em linha recta. Hoje, não vemos nada disto, a dispersão dos bandos é variada e, se entrarem 500.000 em Portugal pela linha Nordeste/Sudoeste, não acredito que entrem, esses, estão apenas de passagem rumo aos "santuários" de Espanha, onde os espera um serviço "buffet" depois de um "check in" nas região de Setúbal, Alcácer ou Grândola. Apesar de tudo que passou a ser negativo na caça a esta espécie, ainda se fazem excelentes caçadas em algumas ZCTs bem geridas por pessoas dedicadas e competentes e onde a variedade alimentar e especialmente o sossego, são os factores de maior peso para a permanência das aves. Infelizmente essas ZCTs são muito poucas e contam-se pelos dedos de uma só mão. A gula pelos €uros é tal, que descamba em vigarice... e como da primeira ninguém se livra, na segunda só cai quem quer. É treta por muitos propalada, de que um ano de muita bolota, é um bom ano de pombos, não é bem assim, já que o Torcáz tem muitas outras opções alimentares na Península Ibérica a sua escolha e, aqui ao nosso lado, tem enorme variedade alimentar em apetecíveis plantações agrícolas, com extensos terrenos bem cuidados. O pombo Torcáz quando chega a Portugal, o que encontra é bolota, bolota e bolota como fruto da época, como é novidade fazem grandes consumos desse fruto, porém, ficam enjoados dele e passadas poucas semanas marcham para Leste á procura de dietas mais suaves e variadas que por aqui já não encontra. Eu não conheço, Sobreiros nem Azinheiras na Estónia, Letónia, Lituânia, Suécia, Finlândia, ou mesmo em Inglaterra, alguns dos países onde a espécie nidifica e passa 7 meses por ano...!
Finalmente, na caça ao Torcáz em ZCAs geridas por "gestores de dispensas" ou em ZCMs geridas por Juntas de Freguesia directa ou indirectamente partidarizadas, é para esquecer, salvo raras excepções para fazer valer a regra. Presumo assim pelos motivos que referi, que a época 2015/16 será mais um fiasco para muitos caçadores amantes da modalidade. Cá estaremos(?) no final de Fevereiro 2016 para olharmos com atenção, os míseros resultados dos PAE - Planos Anuais de Exploração para esta espécie.
-A gula ao subsídio para desmate, levou a que alguns proprietários oportunistas, limpassem os terrenos ao ponto de os tornarem em autênticos desertos cinegéticos.
-O incentivo á "rentável" plantação de Eucalipto. Portugal tem já uma floresta de "petróleo verde" na ordem dos 815.000 hectares em zonas sensíveis para as especies migratórias onde o Alentejo e Ribatejo estão incluídos.
-A criação de parques eólicos em Portugal em zonas serranas, outrora rota migratória, veio alterar substancialmente o comportamento dos Torcazes e outras espécies. Já vai mais de uma década, que os Torcazes não sobrevoam a Serra de Aire e Candeeiros, o que acontecia em Outubro com alguma regularidade. (as eólicas aqui são mais que muitas e os Torcazes sentem á distancia as ondas electro-magnéticas e evitam a zona)
-A barragem do Alqueva, o maior lago artificial da Europa, contribui sobremaneira para um alinhamento das rotas migratórias pelas linhas de água, na procura de todo o tipo de culturas que nasceram nas suas margens, tanto do lado português, muito mais do lado espanhol.
-Os incêndios criminosos que não param de aumentar, em zonas tradicionais de dormida e passagem habitual dos Torcazes, obrigaram forçosamente as aves a alterarem os hábitos.
-O exagerado numero de caçadores para a dimensão do país (chegou aos 300.000 após o ano de 74) e que actuavam no terreno sem ética desportiva, com total indisciplina e impunidade na caça esta a espécie, exercendo sobre ela uma enorme pressão, perseguindo-a de dia pelos campos e á noite nas dormidas, ora de Jeep ou Pick-up, ora de motorizada, em que os foguetes de lágrimas faziam o resto. Uma herdade tratada deste modo, ficava limpa de Torcazes por uns bons anos. Foi a anarqueirada abrileira do "terreno popularmente livre" num país sem lei nem autoridade. Foi o tempo em que nas cinzentas manhãs de nevoeiro com visibilidade quase nula, os caçarretas que faziam os levantes, se alvejavam uns aos outros com a ganancia de matar para pendurar. Não havia época venatória que não houvesse acidentes mortais nos levantes do pombos.
Até aos anos 70, apenas umas centenas de aficionados se dedicavam á caça aos Torcazes das mais variadas maneiras. Era o tempo em que os 90.000 caçadores existentes, podiam caçar todos os dias da semana, abatendo lebres, coelhos e perdizes, de boa qualidade selvagem. Torcazes, era "coisa" que não fazia perder tempo á grande maioria do caçadores.
-No Regime Cinegético Especial a "gestão" caótica de muitas ZCA, versus terreno livre, localizadas em áreas sensíveis de passagem e dormida, contribuio para o afastamento definitivo da espécie, onde os sócios caçarretas urbano/depressivos, com os suas Fabarms anti-aéreas de 90 cm. de cano, municiadas com magnuns, carregados com granalha esférica n-º 3, faziam fogo de rajada sobre os bandos de Torcazes a 150 metros de altura com grande gáudio e algazarra, enquanto outros circulavam pelas herdades nas suas viaturas cuspindo lama para todos os lados, em autênticos raids todo terreno.
Talvez tenha interesse lembrarmos zonas como Malpica do Tejo, Rosmaninhal, Monte da Pedra, Comenda, Vale do Peso, Cunheira, Aldeia da Mata, Crato, Flor da Rosa, Alter do Chão, Galveias, Valongo, Aldeia Velha, Montargil, Forros do Arrão, Forros do Mocho, Farinha Branca, Avis, Seda, Cabeção, e outras...são hoje exemplos da quase inexistência de Torcazes, que por elas passam como "raposas por vinha vindimada". Eu não pagaria nem 10 €uros por uma porta aos Torcazes em qualquer destas zonas. Se regressarmos aos anos 60 e parte dos anos 70, por aqui transitavam e dormiam, cerca de 15 milhões de Torcazes, que depois seguiam em direcção a Santiago do Cacém, dividindo-se por essa região em centenas de bandos de muitos milhares de indivíduos, quando os campos do Alentejo era o celeiro de Portugal.
É sempre com uma certa nostalgia que nos recordamos dos bandos compactos com kms. fazendo sombra ao astro Rei. Quando se dava um levante de pombos ao crepúsculo da manhã, numa dormida no Crato/Flor da Rosa por exemplo, a frente do bando sobrevoava o Monte da Natária em Alter do Chão e a cauda ainda estava a sair do Crato... são 12 kms. em linha recta. Hoje, não vemos nada disto, a dispersão dos bandos é variada e, se entrarem 500.000 em Portugal pela linha Nordeste/Sudoeste, não acredito que entrem, esses, estão apenas de passagem rumo aos "santuários" de Espanha, onde os espera um serviço "buffet" depois de um "check in" nas região de Setúbal, Alcácer ou Grândola. Apesar de tudo que passou a ser negativo na caça a esta espécie, ainda se fazem excelentes caçadas em algumas ZCTs bem geridas por pessoas dedicadas e competentes e onde a variedade alimentar e especialmente o sossego, são os factores de maior peso para a permanência das aves. Infelizmente essas ZCTs são muito poucas e contam-se pelos dedos de uma só mão. A gula pelos €uros é tal, que descamba em vigarice... e como da primeira ninguém se livra, na segunda só cai quem quer. É treta por muitos propalada, de que um ano de muita bolota, é um bom ano de pombos, não é bem assim, já que o Torcáz tem muitas outras opções alimentares na Península Ibérica a sua escolha e, aqui ao nosso lado, tem enorme variedade alimentar em apetecíveis plantações agrícolas, com extensos terrenos bem cuidados. O pombo Torcáz quando chega a Portugal, o que encontra é bolota, bolota e bolota como fruto da época, como é novidade fazem grandes consumos desse fruto, porém, ficam enjoados dele e passadas poucas semanas marcham para Leste á procura de dietas mais suaves e variadas que por aqui já não encontra. Eu não conheço, Sobreiros nem Azinheiras na Estónia, Letónia, Lituânia, Suécia, Finlândia, ou mesmo em Inglaterra, alguns dos países onde a espécie nidifica e passa 7 meses por ano...!
Finalmente, na caça ao Torcáz em ZCAs geridas por "gestores de dispensas" ou em ZCMs geridas por Juntas de Freguesia directa ou indirectamente partidarizadas, é para esquecer, salvo raras excepções para fazer valer a regra. Presumo assim pelos motivos que referi, que a época 2015/16 será mais um fiasco para muitos caçadores amantes da modalidade. Cá estaremos(?) no final de Fevereiro 2016 para olharmos com atenção, os míseros resultados dos PAE - Planos Anuais de Exploração para esta espécie.
Serra de São Pedro em Espanha, onde as dormidas e a quantidade de Torcazes tem vindo a aumentar de ano para ano, sendo estimado em cerca de 3.000.000 o numero de indivíduos durante a invernada.

